sexta-feira, 13 de abril de 2018

Doação de leite materno, como doar

Tenho leite demais. Posso doar?

Sim. O Brasil tem uma boa tradição de bancos de leite, e há vários deles espalhados pelo território, muitas vezes dentro das próprias maternidades. Algumas cidades fazem parceria com o Corpo de Bombeiros, para que o leite ordenhado seja recolhido na casa das doadoras.

O leite doado vai para o banco de leite, onde passa por um processo de pasteurização e é destinado a bebês prematuros ou que estejam internados em centros de tratamento intensivo neonatal. 

O primeiro passo é entrar em contato com o banco de leite humano mais próximo por telefone. Além de fazer o cadastro inicial, você será orientada sobre como fazer a coleta e armazenar o leite ordenhado

O banco de leite faz um cadastro, contendo dados pessoais, sobre o pré-natal e sobre os hábitos de vida da doadora. As informações são avaliadas por um médico e a doadora apta é avisada pelo banco de leite sobre o dia da coleta. 

Consulte a lista de endereços e telefones e obtenha mais informações sobre a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano no endereço http://rblh.fiocruz.br/pt-br/pagina-inicial-rede-blh.


Há restrições para quem pode doar leite?


Os bancos de leite fazem um cadastramento cuidadoso das doadoras justamente para avaliar se há alguma restrição. Ou seja, não adianta levar o leite ordenhado direto para o banco, sem passar pelo cadastro prévio. 

Em termos gerais, é preciso que o próprio filho da nutriz (a mulher que fornece o leite) esteja recebendo leite materno, a não ser em caso de força maior. 

Muitas vezes, mulheres que têm prematuros mantêm a ordenha no hospital para estimular a produção de leite, mesmo que o bebê ainda não possa mamar. Esse leite então é armazenado pelos bancos de leite.

Como o leite é destinado a prematuros ou pacientes de UTIs neonatais, há um controle rígido da saúde da doadora. Os principais requisitos para doar são: 

  • Apresentar exames do pré ou do pós-natal comprovando estar bem de saúde

  • Não fumar

  • Não tomar medicamentos incompatíveis com a amamentação

  • Não usar álcool ou drogas ilícitas


Como é feita a doação do leite materno?


Há menos riscos de contaminação se o leite for ordenhado manualmente, mas os bancos de leite usam também bombinhas para facilitar e agilizar o processo. 

Após o cadastro, a coleta pode ser feita no próprio banco de leite ou em casa -- dependendo do caso e da cidade, alguém buscará o leite uma vez por semana. 

São necessários alguns cuidados especiais durante a ordenha, como: 

  • Lavar as mãos e os antebraços com água e sabão, até os cotovelos; manter as unhas limpas

  • Desprezar os primeiros jatos de leite (cerca de 1 ml)

  • Usar recipiente esterilizado, de boca larga, para recolher o leite

  • Guardar o leite coletado imediatamente no congelador

  • Não encher demais o recipiente

Também pode ser interessante usar uma máscara ou uma fralda de pano no rosto para reduzir ainda mais os riscos de contaminação do leite. 

Como amamentar sem dor e desconforto

A amamentação é um momento de interação entre mãe e filho, além de trazer vários benefícios à saúde de ambos. A mulher deve tomar alguns cuidados para que esse ato não gere dor e desconforto. A principal queixa é ter o bico do seio rachado e sensível, o que causa inflamações e dificulta o aleitamento.
A empresária Vivianne Oliveira conta que quase desistiu de amamentar o filho. "Eu tive muita dor ao amamentar. A lágrima realmente caía, mas eu sabia que era essencial para ele, principalmente naqueles primeiros meses de vida", declara. Assim como Vivianne, muitas mulheres se queixam de dor durante a primeira fase da amamentação.
Segundo o coordenador de Saúde da Criança do Ministério da Saúde, Paulo Bonilha, o contato entre mãe e bebê não é doloroso. O desconforto costuma ser causado porque a boca da criança está mal encaixada no peito da mãe. Ele orienta que ao sentir dor a mulher tire o bebê com cuido e o coloque de novo para mamar.

Amamentação: é normal um dos seios produzir mais leite que o outro?

“O que devo fazer se tenho um seio que produz mais leite do que o outro? Isso é normal?”

“Sim, isso é normal. A produção de leite depende de estímulos: quanto mais o bebê suga, mais ele é produzido. O importante é que a mamãe não deixe de estimular a mamada em um seio apenas porque ele não produz tanto leite quanto o outro lado. Colocar o bebê para sugar o peito que apresenta menor quantidade de leite é a melhor forma de provocar a produção do alimento. Assim, com o tempo, a quantidade disponível em ambos os lados vai se equilibrando. Uma dica pode ajudar a manter essa harmonia: se a mãe der os dois peitos na mesma mamada, na próxima ela deve começar pelo ultimo seio que o bebê mamou, pois geralmente esse é o que costuma ser o menos estimulado. Se o bebê pegou apenas um lado durante a mamada, na próxima deve ser oferecido o outro peito”, explica Natália Turano Monteiro, enfermeira da maternidade do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Dicas para aumentar a produção do leite materno

Os desafios na amamentação são muitos e não é raro pensar que o corpo parou de fabricar leite. Embora em alguns casos a baixa produção esteja mesmo relacionada a algum aspecto da saúde da mãe, na maioria das vezes o real problema é a falta de estímulo.
“A sucção adequada e regular do bebê é muito importante, porque o leite é produzido a partir dessa demanda”, aponta Monica Carceles, neonatologista da Pro Matre Paulista, em São Paulo. Separamos alguns macetes para manter a fábrica em dia sem sofrimento. E a saúde de mãe e filho também! Vamos lá:

1. Observe se a pega está correta

O jeito certo do pequeno mamar é abocanhar a aréola toda. “Se ele pega só o bico, vai apenas chupar, sem conseguir sugar de verdade”, explica. Quando há falhas nesse processo, a produção cai, a mãe pode se machucar e o filho não receber a quantidade ideal de leite. A melhor posição é com cabeça e corpo voltados para a mãe, que pode gentilmente abrir a boca do bebê e levá-la ao seio.

2. Ofereça o peito logo após o parto

“Na primeira hora de vida, o bebê está mais atento do que ficará nas horas seguintes, então as chances de pegar o seio adequadamente são maiores”, ensina Monica. As tentativas devem continuar mesmo se a quantidade de leite for pequena porque é delas que nasce o incentivo para aumentar a produção. Vale lembrar que a demora também expõe o bebê a riscos importantes.

3. Investigue a dor

Nos primeiros dias, as mamas ainda ficam inchadas, doloridas e podem liberar pouco leite. Depois disso, entretanto, o incômodo merece atenção. É até normal que a pegada inicial seja mais sentida, mas se a dor persiste durante a mamada, mesmo que leve, deve ser investigada. “Na maioria das vezes quer dizer que o bebê está pegando errado a mama e isso precisa ser melhorado”, aponta Monica.

4. Amamente em livre demanda

Dar o peito quando o bebê quiser, sem estabelecer horários, é o melhor método para mantê-lo saudável e também para estimular a lactação. Mas, se o tempo entre uma mamada e outra demora muito, como no caso de mulheres que trabalham, o ideal é retirar o leite com bombas de sucção elétricas ou manuais. “Ela pode fazer isso de três em três horas para que o corpo entenda que é preciso manter a produção”, ensina Monica.

5. A mãe precisa estar descansada

Bom, é difícil dizer que uma mãe de bebê precisa descansar, mas infelizmente o estresse influencia na amamentação, assim como a ansiedade. “Especialmente nos primeiros meses, a mulher precisa repousar entre as mamadas, porque o cansaço atrapalha a saída do leite”, conta Monica. “Um fator importante para manter a produção em dia é que a mãe esteja tranquila e que a amamentação ocorra em um ambiente também calmo”, pediatra Nelson Ejzenbaum, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.

6. Espere a mama esvaziar antes de trocar de lado

Os dois seios devem ser oferecidos à criança, mas respeitando o ritmo natural da amamentação. Isso porque interromper a alimentação antes da hora pode fazer com que o organismo entenda que aquela quantidade que fabricou não é mais necessária. Sem contar que o leite do final da mamada é mais rico em gordura e nutrientes importantes para o bebê.

7. Entenda quando está mesmo faltando leite

O melhor jeito de saber é observar o filho. “Se ele suga bem, dorme bem, faz xixi e cocô várias vezes ao dia, a urina está clarinha e o peso está dentro dos parâmetros, então ele está recebendo a quantidade correta”, orienta Monica. Ou seja, mesmo que o leite pareça diminuir, a oferta do peito deve continuar, pois isso significa que o corpo está produzindo apenas o que o bebê realmente precisa.

8. Remédios, massagens e compressas mornas ajudam

Às vezes a fonte seca mesmo, por motivos que vão do formato das mamas a desequilíbrios hormonais, passando por problemas de saúde pré-existentes da mãe. Daí entram em cena táticas como massagens que estimulam a região e compressas de água morna, que favorecem a vasodilatação e a atividade das glândulas mamárias. Para casos específicos, há remédios que aumentam os níveis de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite.

9. Tome mais água

Um litro a mais do que o normal para adultos: é essa a medida. “É importante que a mãe reponha o líquido que perde durante a amamentação para que produz mais leite. Recomendamos 3 litros diários às nossas pacientes”, orienta Juliana Oliveira, enfermeira do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno da Maternidade São Luiz Itaim.

10. Chupeta no recém-nascido atrapalha

Especialmente no começo da vida, quando o bebê ainda está aprendendo a mamar. “Nos dez primeiros dias é melhor não dar, se não ele pode não sugar adequadamente e também acabar machucando a mãe”, aponta Monica.

11. O impacto real da alimentação e de fitoterápicos

Há algumas dicas caseiras para aumentar a produção, como tomar chá de hortelã, mas há pouca comprovação científica sobre o tema. “É o aumento da ingestão de líquido que tem efeito positivo e não a erva em si”, comenta Ejzenbaum. É o mesmo caso de incluir itens como a canjica e a mandioca no cardápio. “A mulher não precisa de um alimento específico, mas sim de uma maior ingestão de calorias e com mais frequência, optando por comidas saudáveis, para repor o que perdeu durante a mamada”, desmistifica Juliana.

12. Não fique presa a regras

Não custa nada reforçar: o tempo de cada mamada, a quantidade de vezes que o filho mama por dia e a quantidade de leite secretado são indicadores que variam muito de acordo com cada pessoa. A saúde e o desenvolvimento do bebê são o principal parâmetro para avaliar a produção de leite materno, assim como a satisfação dele depois de mamar. Se ele estiver tranquilo e relaxado, sinal de que está tudo certo.